Chicão é, sem dúvida, um dos maiores zagueiros-artilheiros da história do Sport Club Corinthians Paulista. Conhecido pela precisão impecável em cobranças de falta e pênaltis, o defensor unia a garra defensiva, típica da identidade corinthiana, a um faro de gol raríssimo para a sua posição. No Parque Jorge, ele não era apenas a voz de comando da linha de zaga, mas também uma das principais armas ofensivas de uma das eras mais vitoriosas do clube.
Abaixo, apresento um levantamento detalhado e estatístico da trajetória goleadora do eterno camisa 3 com o manto alvinegro.
| Ano | Competição | Gols de Pênalti | Gols de Falta | Gols de Bola Rolando / Cabeça | Total de Gols no Ano |
| 2008 | Campeonato Paulista | 1 | 0 | 2 | 3 |
| Campeonato Brasileiro – Série B | 7 | 3 | 2 | 12 | |
| 2009 | Campeonato Paulista | 4 | 4 | 0 | 8 |
| Copa do Brasil | 1 | 2 | 0 | 3 | |
| Campeonato Brasileiro | 4 | 0 | 0 | 4 | |
| 2010 | Copa Libertadores | 0 | 0 | 1 | 1 |
| Campeonato Paulista | 1 | 0 | 0 | 1 | |
| Campeonato Brasileiro | 3 | 0 | 0 | 3 | |
| 2011 | Campeonato Paulista | 1 | 0 | 1 | 2 |
| Campeonato Brasileiro | 2 | 1 | 0 | 3 | |
| 2012 | Campeonato Paulista | 2 | 0 | 0 | 2 |
| Campeonato Brasileiro | 1 | 1 | 1 | 3 | |
| 2008-13 | Amistosos / Outros | 1 | 0 | 0 | 1 |
| 2013 | Todas as competições | 0 | 0 | 0 | 0 |
| TOTAL | Histórico Pelo Corinthians | 28 | 11 | 3 | 42 |
Veja também: Carlos Tévez no Corinthians: Números de gols e assistências
Estatísticas Gerais de Chicão no Corinthians (2008–2013)
Durante os cinco anos em que defendeu o Timão, Chicão construiu uma regularidade impressionante. Ele foi peça central na reconstrução do clube a partir de 2008 e permaneceu como titular absoluto nas conquistas que mudaram o patamar do Alvinegro no cenário mundial.
Total de Gols: 42 gols
Total de Jogos: 247 partidas
Média: Aproximadamente 1 gol a cada 6 jogos.
Ranking Histórico: Chicão ocupa a 2ª posição entre os zagueiros com mais gols na história do Corinthians. Ele fica atrás apenas do lendário Pedro Grané (50 gols), que atuou nas décadas de 1920 e 1930, em uma época em que o futebol tinha características táticas completamente diferentes.
O “Xerife” do Parque São Jorge balançou as redes em quase todos os torneios que disputou pelo Timão. A seguir, destrinchamos a importância, os contextos e o impacto real desses 42 gols em cada campeonato.
Campeonato Brasileiro (22 Gols) – Regularidade e Liderança na Elite
O Brasileirão foi o principal palco dos gols de Chicão. Ao longo de suas participações na Série A, o zagueiro foi o termômetro de eficiência do Corinthians em pontos corridos.
Em 2011, ano da conquista do Pentacampeonato Brasileiro sob o comando de Tite, os seus 5 gols funcionaram como verdadeiros “desafogos” em partidas truncadas. Por ser o batedor oficial de pênaltis, Chicão garantia pontos cruciais convertendo penalidades com frieza absurda, além de desestabilizar as defesas adversárias quando subia na área para aproveitar os escanteios cobrados no primeiro pau. Sua média na competição é altíssima para um defensor, marcando quase uma vez a cada cinco jogos.
Campeonato Paulista (13 Gols) – Decisivo nos Clássicos e Fases Finais
O estadual era o termômetro do ano, e Chicão adorava o Paulistão. Foi nesta competição que ele alcançou o ápice de sua fama de cobrador de faltas.
O grande destaque de sua trajetória no torneio foi em 2009. Na caminhada do título invicto, o camisa 3 anotou gols antológicos. O principal deles foi contra o Santos, na Vila Belmiro, abrindo o placar na primeira final com uma cobrança de falta perfeita. O estadual também registrou sua soberania nos clássicos, incluindo gols diante do São Paulo e a consolidação de sua postura de liderança técnica dentro de campo.
Copa do Brasil (5 Gols) – O Caminho do Título de 2009
Nos torneios de mata-mata nacional, Chicão mostrou que tinha “sangue frio”. Seus 5 gols na Copa do Brasil foram fundamentais para dar tranquilidade ao elenco em momentos de extrema pressão.
O momento mais emblemático ocorreu nas quartas de final de 2009, contra o Fluminense, em um Maracanã lotado. O Corinthians perdia e via a classificação ameaçada, quando Chicão acertou uma cobrança de falta espetacular, empatando o jogo em 2 a 2 e carimbando a vaga para a semifinal. Ele terminou aquela campanha como um dos grandes heróis do título nacional.
Copa Libertadores (1 Gol) – Peso de Ouro no Continente
Embora tenha balançado as redes apenas uma vez na principal competição das Américas, o gol teve peso de ouro. Em 2010, o Corinthians enfrentava o Cerro Porteño no Defensores del Chaco, no Paraguai, pela fase de grupos. Em uma partida catimbada e de muita imposição física, Chicão apareceu para marcar o gol solitário que garantiu a vitória por 1 a 0 fora de casa. Aqueles três pontos foram vitais para a classificação do Timão em primeiro lugar do grupo na época.
Outros e Amistosos (1 Gol)
Além das competições oficiais listadas, Chicão soma um gol marcado em amistosos de intertemporada ou jogos preparatórios, completando a contagem de 42 bolas na rede. No ano de 2008, ele também anotou gols fundamentais na campanha do título e acesso na Série B, embora os dados daquela transição nacional costumem somar-se à sua estatística geral de afirmação no clube.
Desempenho por Temporada: O Auge de 2009
A veia artilheira de Chicão teve oscilações naturais de acordo com o estilo tático da equipe, mas o ano de 2009 ficou marcado como o auge de sua eficiência ofensiva. Naquela temporada, o zagueiro superou o número de gols de muitos atacantes de grandes clubes da Série A do futebol brasileiro.
2008 (12 gols): Logo em sua primeira temporada, foi fundamental na campanha do acesso na Série B do Brasileirão, dando segurança atrás e balançando as redes na frente.
2009 (15 gols): O ano de ouro. Sob o comando de Mano Menezes e jogando ao lado de astros como Ronaldo Fenômeno, Chicão foi o cobrador oficial e peça-chave nos títulos do Campeonato Paulista (invicto) e da Copa do Brasil.
2010 (5 gols): Manteve a regularidade em um ano de transição para a montagem da base campeã dos anos seguintes.
2011 (5 gols): Importante na conquista do Pentacampeonato Brasileiro, aparecendo em momentos de aperto.
2012 (5 gols): O ano da glória eterna. Chicão marcou gols importantes na temporada em que o Corinthians conquistou a América e o Mundo de forma invicta.
2013 (0 gols): Seu último ano no clube, marcado por menor minutagem, mas com o respeito intacto da Fiel.
O ano de 2013 marcou a última temporada de Chicão no Corinthians e foi desenhado sob um cenário de transição. Pela primeira vez desde sua chegada em 2008, o zagueiro fechou um ano sem balançar as redes. Esse jejum de gols refletiu diretamente a mudança de status que o atleta viveu no elenco de Tite.
Após atingir o topo do mundo no Japão em dezembro de 2012, o Corinthians iniciou 2013 focado na Recopa Sul-Americana e no Paulista, mas o desgaste físico da “espinha dorsal” multicampeã cobrou seu preço. Chicão sofreu com problemas físicos e passou por uma cirurgia no joelho esquerdo logo no início do ano. O período de recuperação abriu espaço para o crescimento definitivo da dupla formada por Gil e Paulo André, que ganhou a confiança da comissão técnica pela velocidade e imposição física.
Quando retornou, o “Xerife” encontrou uma concorrência acirrada e passou a frequentar o banco de reservas — uma situação rara em sua trajetória no clube. Apesar da menor minutagem, sua liderança nos bastidores foi fundamental para blindar o grupo e faturar os títulos do Campeonato Paulista de 2013 e da Recopa Sul-Americana de 2013.
Sua última partida oficial com o manto alvinegro aconteceu em julho daquele ano, contra o Athletico Paranaense, pelo Brasileirão. Em agosto de 2013, entendendo que o ciclo estava cumprido e buscando novos minutos em campo, Chicão rescindiu amigavelmente seu contrato para se transferir ao Flamengo. Ele se despediu sem o faro artilheiro de outrora, mas com o respeito eterno da Fiel, que entendeu a transição como o fechamento natural de uma das eras defensivas mais gloriosas do clube.
Veja também: Ronaldo Fenômeno Corinthians: Gols, Assistências e Estatísticas
Vítimas Favoritas e Momentos Marcantes em Clássicos
Para se tornar um ídolo do tamanho de Chicão, é preciso aparecer nos jogos grandes. O zagueiro tinha o hábito de crescer diante dos maiores rivais e em momentos de mata-mata.
Maiores Vítimas: Paulista de Jundiaí, Mogi Mirim, Grêmio, Fluminense, Botafogo, Ponte Preta e Santos sofreram 2 gols cada das cobranças do defensor.
Desempenho em Clássicos: Chicão não se intimidava em clássicos estaduais. Foram 2 gols marcados contra o Santos e 1 gol de extrema importância contra o São Paulo.
Para colocar o nome na história do Corinthians de forma definitiva, um jogador precisa se provar contra os maiores rivais do estado. Chicão não apenas se provou defensivamente, como se transformou em um verdadeiro “pesadelo” em clássicos estaduais. Ao todo, o zagueiro marcou 3 gols contra os grandes de São Paulo (2 contra o Santos e 1 contra o São Paulo), e cada um deles carrega um peso histórico gigantesco.
O Algoz do Santos na Vila Belmiro (2 Gols)
O Santos de 2009 era uma equipe jovem, veloz e extremamente perigosa, mas Chicão soube anular o rival na defesa e castigar no ataque. O confronto contra o time praiano guarda a exibição mais emblemática da bola parada do zagueiro.
No primeiro jogo da final do Campeonato Paulista de 2009, na Vila Belmiro, os olhos do planeta estavam voltados para Ronaldo Fenômeno. No entanto, foi o camisa 3 quem desestruturou o planejamento santista logo nos minutos iniciais. Em uma falta frontal na entrada da área, Chicão bateu com tanta perfeição que a bola encobriu a barreira e estufou a gaveta do goleiro Fábio Costa, que sequer saltou na foto. Aquele gol abriu o caminho para a vitória por 3 a 1 e pavimentou a conquista do título paulista invicto daquele ano.
O outro gol do zagueiro diante do Alvinegro Praiano também aconteceu pelo Estadual e consolidou sua fama de ser cirúrgico na bola parada sob a atmosfera de pressão da Baixada Santista.
A Assinatura no Histórico Goleada contra o São Paulo (1 Gol)
Se a torcida do Corinthians tem o Majestoso de 2011 guardado com carinho na memória, muito se deve à frieza e precisão técnica de Chicão. No dia 26 de junho daquele ano, Corinthians e São Paulo se enfrentaram no Pacaembu pelo Campeonato Brasileiro. O Tricolor do Morumbi defendia a liderança invicta da competição, mas acabou atropelado por um sonoro 5 a 0 do Timão.
Chicão deixou sua marca registrada no placar de forma categórica. No segundo tempo, quando o placar já apontava a soberania alvinegra, o Corinthians teve uma falta perigosa a seu favor. Demonstrando a costumeira autoridade, o zagueiro assumiu a cobrança e desferiu um chute preciso, sem chances de defesa para o arqueiro rival, explodindo as arquibancadas do Pacaembu. Marcar em um dos maiores massacres da história do clássico eternizou a postura destemida do capitão perante o rival.
Veja também: Vídeo: Relembre os melhores momentos de Chicão com o manto alvinegro
O Perfil dos Gols: Como o Camisa 3 Castigava os Adversários
A maioria esmagadora dos 42 gols de Chicão com a camisa do Corinthians veio através da bola parada. A comissão técnica e a torcida sabiam que uma falta na entrada da área ou um pênalti a favor eram chances claras de abrir o placar.
Pênaltis: Era o batedor oficial do team. Tinha uma frieza impressionante na caminhada até a bola e raramente desperdiçava uma cobrança, deslocando os goleiros com facilidade.
Cabeceio: Apesar de não ser um zagueiro de estatura muito alta para os padrões atuais (1,80m), Chicão compensava com um excelente tempo de bola e impulsão, aproveitando escanteios e faltas laterais.
Faltas Diretas: Uma das suas marcas registradas. Chicão tinha uma batida seca, precisa e técnica, geralmente buscando o ângulo por cima da barreira.
Curiosidade Estatística
Chicão não era um artilheiro de “gols inúteis”. Dos 42 gols marcados pelo zagueiro, o Corinthians venceu a grande maioria das partidas. Balançar as redes com o camisa 3 era sinônimo de resultado positivo e três pontos garantidos para o Alvinegro.
A Letalidade na Bola Parada: Técnica e Bastidores
Chicão é constantemente lembrado pela Fiel por ter sido um dos últimos especialistas “puros” de falta que o Corinthians teve em seu elenco profissional.
Estilo de Cobrança
Diferente de batedores que usam apenas a força bruta para vencer o goleiro, o ex-zagueiro focava totalmente na precisão do movimento. Ele costumava posicionar o corpo de forma bem reta em relação à bola e batia de peito de pé ou com a parte interna. O resultado era uma bola com muita curva, que buscava o canto do goleiro.
A “Falta de Perto”
Ele era especialmente perigoso em faltas localizadas na linha ou na entrada da grande área. Enquanto a maioria dos batedores prefere uma distância maior para a bola ter tempo de subir e descer, Chicão conseguia fazer a bola passar pela barreira e cair rapidamente mesmo com pouquíssimo espaço de trajetória.
Gols de Falta Emblemáticos
Contra o Santos (2009): Na Vila Belmiro, no primeiro jogo da final do Paulistão de 2009, enquanto a marcação santista se preocupava com Ronaldo Fenômeno, Chicão mandou uma bola certeira na gaveta de Fábio Costa, pavimentando o título invicto.
Contra o São Paulo (2011): No histórico e acachapante 5 a 0 sobre o rival no Pacaembu, pelo Brasileirão, Chicão anotou um gol de falta com categoria, mostrando que mantinha o sangue frio nos clássicos de maior rivalidade.
Contra o Fluminense (2009): Nas quartas de final da Copa do Brasil, o zagueiro marcou um gol de falta crucial em pleno Maracanã, garantindo o empate em 2 a 2 que deu a classificação ao Corinthians.
O “Treinamento Invisível” que Criou o Mito
A precisão cirúrgica de Chicão não era mero talento natural; era fruto de exaustão no dia a dia. Relatos de funcionários e companheiros de equipe da época no CT Joaquim Grava confirmavam que o zagueiro era sempre um dos últimos a deixar o gramado. Ele costumava estender sua permanência no campo por cerca de 30 a 40 minutos diários apenas repetindo cobranças de falta contra barreiras móveis.
Democracia Corinthiana: o dia em que Sócrates discursou para mais de 1 milhão de pessoas no Anhangabaú
No início da década de 1980, o Brasil sufocava sob...
Leia maisValor da construção e da Dívida da Neo Química Arena
A construção da Neo Química Arena alterou profundamente o patamar...
Leia maisLucca Caramico, o Meia-Artilheiro que Encanta a Base do Corinthians
Quem acompanha de perto o “Terrão” sabe muito bem que...
Leia maisA Proposta para Memphis Depay e o Novo Prazo da Dívida de Rodrigo Garro
O Corinthians segue vivendo dias de intensa movimentação financeira e...
Leia mais


