Luizão: A máquina de gols do Corinthians na Libertadores

Luizão comemorando gol pelo Corinthians na Libertadores

Quando se fala em grandes atuações individuais pelo Sport Club Corinthians Paulista na Copa Libertadores da América, um nome brilha com intensidade absoluta: Luizão. No ano de 2000, o centroavante escreveu seu nome na história do torneio continental ao registrar uma marca que permanece insuperável para os jogadores brasileiros até hoje.

Neste artigo, vamos relembrar os detalhes da campanha histórica, destrinchar os 15 gols do camisa 9 e entender o peso desse recorde para o futebol sul-americano.

O Impacto dos 15 Gols em uma Única Edição

A trajetória do Timão na Libertadores de 2000 foi marcada por um ataque avassalador, e Luizão foi a grande referência dessa engrenagem. Com seus 15 gols marcados, o atacante não apenas garantiu o posto de maior artilheiro do Corinthians em uma única edição, como também alcançou um feito histórico no cenário continental.

Na tabela histórica de artilheiros de uma única edição da Libertadores, o atleta corinthiano ocupa a segunda colocação absoluta, ficando atrás apenas do argentino Daniel Onega, que marcou 17 gols pelo River Plate em 1966.

  • Luizão (Corinthians, 2000): 15 gols

  • Maior marca de um brasileiro: 15 gols (recorde vigente)


A Campanha e os Momentos Decisivos

O ano de 2000 exigeu frieza, oportunismo e faro de gol. A equipe comandada por Oswaldo de Oliveira contava com um setor ofensivo letal, e Luizão mostrou sua estrela principalmente nos confrontos de mata-mata. Se a fase de grupos serviu para o camisa 9 calibrar a pontaria — incluindo uma exibição de gala com quatro gols na goleada por 5 a 1 contra o Olimpia no Pacaembu —, foi nos jogos onde não havia margem para erro que ele se tornou lendário.

A Batalha de Rosário: Frieza Diante do Inferno Argentino

Nas oitavas de final, o Corinthians enfrentou o Rosario Central. Após uma derrota por 3 a 2 na Argentina (onde Luizão balançou as redes), o jogo de volta no Pacaembu foi um teste para cardíacos. O Timão precisava vencer, e o camisa 9 chamou a responsabilidade: marcou dois gols na vitória por 3 a 2 no tempo normal, incendiando a arquibancada. Na disputa de pênaltis, com a pressão psicológica no limite, Luizão abriu as cobranças convertendo com extrema categoria, pavimentando o caminho para a classificação.

O Massacre no Derby Continental

Nas quartas de final, o adversário era o maior rival. O Derby contra o Palmeiras na Libertadores de 2000 é, até hoje, um dos capítulos mais tensos da história do futebol paulista. No jogo de ida, o Corinthians venceu por 4 a 3, e Luizão foi o dono da partida, anotando dois gols cruciais que desmontaram a defesa alviverde. No jogo de volta, mesmo com a dolorosa eliminação nos pênaltis, a atuação do centroavante nos 180 minutos blindou sua imagem como um atacante que não temia clássicos ou camisas pesadas.

O Recorde Imbatível

Luizão fechou aquela Libertadores com a impressionante marca de 15 gols em apenas 12 jogos. Para se ter uma ideia da magnitude desse feito, nenhum outro jogador brasileiro conseguiu superar ou sequer igualar essa marca em uma única edição do torneio até hoje. Ele unia a catimba necessária para enfrentar os defensores sul-americanos a uma explosão física e um posicionamento de área impecável. Cada gol era uma aula de como um centroavante deve se comportar na maior competição do continente.

O Maior Artilheiro em Competições da Conmebol

Além da marca impressionante em 2000, Luizão consolidou-se como o maior artilheiro da história do Corinthians em competições da Conmebol, acumulando 21 gols somando todas as suas participações pelo clube alvinegro em torneios sul-americanos (como Libertadores, Sul-Americana e Recopa).

A Voz do Artilheiro: “Vestir a camisa do Corinthians na Libertadores é sentir o peso e a paixão de mais de 30 milhões de loucos. Aquela temporada de 2000 foi mágica para mim.”

Luizão foi o terror das defesas na Copa Libertadores da América de 2000. Dos seus 15 gols na competição, grande parte foi construída de forma avassaladora ao longo da fase de grupos e avançando nos confrontos de mata-mata.

O detalhamento de todas as bolas na rede marcadas pelo camisa 9 adversário por adversário, divididas por fases, é apresentado abaixo:

Fase de Grupos: 10 Gols

Na primeira fase, o Corinthians esteve no Grupo 3 ao lado de Olimpia (Paraguai), LDU (Equador) e América (México). Luizão foi implacável e marcou dois terços de todos os seus gols na fase classificatória:

  • Corinthians 6 x 0 LDU (Equador): 3 gols (um show particular na goleada em casa)

  • Olimpia (Paraguai) 2 x 2 Corinthians: 1 gol

  • Corinthians 5 x 4 Olimpia (Paraguai): 3 gols (na vitória épica no Pacaembu)

  • Corinthians 2 x 2 América (México): 1 gol

  • LDU (Equador) 0 x 2 Corinthians: 2 gols (garantindo os três pontos fora de casa)


Fase de Mata-Mata: 5 Gols

  • Oitavas de Final – Jogo de Ida: Rosario Central 3 x 2 Corinthians

    • 2 gols de Luizão, que tentou evitar o revés na Argentina.

  • Quartas de Final

    • O atacante não marcou gols na eliminatória contra o Atlético-MG (vitórias por 2 a 1 no placar agregado).

Semifinal – Jogo de Volta: Palmeiras 3 x 2 Corinthians

  • 2 gols de Luizão na partida de volta (o jogo terminou empatado no agregado e o Timão foi eliminado nos pênaltis).

AdversárioGols Marcados
LDU5 gols
Olimpia4 gols
Rosario Central2 gols
Palmeiras2 gols
América2 gols
Total15 gols

A máquina de gols Luizão fez de tudo pra conseguir levar o Corinthians até a final da Libertadores, esses números acima na tabela não mentem.

Conclusão e Legado

Os 15 gols de Luizão em 2000 são o símbolo do poder de fogo do Corinthians na principal competição das Américas. O recorde que se mantém vivo após mais de duas décadas prova que o faro de gol de Luizão é insubstituível e merece ser lembrado por todas as gerações de corinthianos.

Para dimensionar o tamanho do feito do camisa 9 alvinegro, o futebol sul-americano mudou drasticamente desde a virada do milênio. O torneio ganhou mais clubes, o número de jogos aumentou, grandes artilheiros vestiram mantos pesados e, ainda assim, ninguém no Brasil conseguiu alcançar a marca estabelecida por Luizão no Parque São Jorge. Nem mesmo as grandes campanhas do século XXI, recheadas de craques milionários, chegaram perto dessa média avassaladora de 1,25 gol por partida.

Mais do que os números frios, o grande legado de Luizão foi moldar a própria identidade do que a Fiel espera de um centroavante na Libertadores. Ele estabeleceu o padrão: um camisa 9 que não foge do confronto físico com zagueiros argentinos ou uruguaios, que sabe usar a catimba a seu favor, que joga com o sangue nos olhos e que tem uma precisão cirúrgica na hora de definir. Luizão não precisava de duas chances para matar um jogo; ele precisava de meia.

Mesmo que o título continental daquele ano tenha batido na trave de forma dolorosa, a epopeia de Luizão fincou o Corinthians de vez no mapa dos ataques mais temidos e respeitados da América do Sul. Ele provou que o manto alvinegro tinha a força necessária para dominar o continente pelo gol. O Fenômeno parou o país anos depois, outros craques ergueram taças inesquecíveis, mas o trono da artilharia isolada da América em uma única edição continua pertencendo ao “Iluminado” de 2000. Uma marca eterna, esculpida na história do Sport Club Corinthians Paulista.

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